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Crescer no espaço público: a incrível história de como uma praça influenciou na vida de uma mulher

Leia a história da Simone, moradora que vem tentando valorizar o seu bairro com projetos no Parque Buenos Aires e atuação na Praça Villaboim

· Mulher,Cidadania,Praça,Espaço Público,Villaboim

Como tudo começou

O começo da história da Simone remete à sua infância, vivida em São Paulo. Desde criança brincava com a irmã nas redondezas de Higienópolis: na Praça Villaboim e no Parque Buenos Aires. Esses espaços fizeram parte do crescimento, da diversão desde criança e mantiveram até hoje um grupo de pessoas que cresceram brincando junto.

Moradora do bairro até hoje a Simone virou uma defensora dos espaços públicos e fomenta de diversas formas o pertencimento de bairro e os projetos transformadores. Ela faz parte de um grupo de pessoas que viabiliza melhorias na Praça em que brincava quando criança e tem um projeto de brinquedoteca no parque que era palco de encontros entre os amigos na infância.

"Cresci em Higienópolis e acho que a Praça Villaboim é um ponto de valorização local, ela faz parte da história do bairro. Eu acho que as áreas verdes em outros países do mundo são muito usadas, e aqui no Brasil a gente tem uma cultura que não valoriza esses lugares" - diz Simone.

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Simone (à direita) com a irmã. Fonte: acervo pessoal concedido ao Praças.

Uma tragédia que a inspirou

Tendo vivido em outros países conta: "em Londres, eu trabalhava no banco, comprava meu almoço e ia comer no gramado; em Sidney eu pegava um livro e ia ler no parque. Os lugares com muito verde, muitos parques não te fazem querer viver essa rotina individualista, você não fica em casa".

Aqui, Simone passeia pelo bairro com sua cadela e ao invés de ficar em casa direto, perambula pela praça e pelo parque trazendo memória, inspiração e vida com seu projeto: Viva o Tom - da ONG Pequenos Guerreiros.

"Ano passado virei tia de gêmeos prematuros. Um deles, o Antônio, desenvolveu uma doença rara, a enterocolite necrosante, que leva à perda do intestino. Quando isso acontece de forma brusca desenvolve-se a síndrome do intestino curto, em que a única saída é um transplante extremamente caro que só existe nos EUA".

Vivendo essa situação criou a ONG, que dá assistência psicológica à famílias que passam pelo mesmo problema. Para arrecadar fundos e conscientizar sobre a vinda de tratamentos para o Brasil, organizou uma feira de livros. Muitas obras foram vendidas, mas sobraram muitos livros de doações, foi então que surgiu a Geladeiroteca, com o Projeto Viva o Tom.

Uma homenagem ao sobrinho que também funciona pra divulgar sobre a doença. Por ser do bairro viu que tinha uma facilidade do projeto ocorrer lá: já havia uma geladeira instalada, mas muitos livros eram roubados e desapareciam. Conversou com os gestores do parque que consentiram: "Eles deixaram que alocasse o projeto Viva o Tom lá se eu me responsabilizasse em cuidar dos livros, da reposição".

Amiga da praça

Já atuando no parque com seu projeto, Simone conta que o interesse em ajudar a Praça da sua infância surgiu do convite de uma amiga: "Soube de uma reunião que ia propor uma revitalização da praça. Eu moro na esquina, tenho a vontade de viver num local valorizado".

Ela conta que acredita que projetos com a participação social são parte da criação de uma nova cultura, de movimentos colaborativos e de valorização das regionalidades.

"Esses projetos tornam o espaço um atrativo. Quando nos envolvemos também passamos a exercer uma papel de cidadão mais ativo, cobrando do poder público serviços que não são entregues" enfatiza Simone.

E completa: "tem um certo choque cultural, sinto isso com a Geladeiroteca, com os livros grátis. As pessoas se perguntam -Como assim de graça? Eu posso ir lá e pegar? - Na praça é a mesma coisa as pessoas se perguntam - Eu posso me envolver? Mas não é obrigação minha. Ok, não é obrigação, mas quem vai usufruir é você, então colaborando um pouco a gente pode ter um lugar que valoriza todo bairro e a qualidade de vida".

A ajuda é colaborativa

A influencia dos espaços públicos na história da Simone é involuntária, mas a inspirou a querer disseminar boas práticas e boas ideias.

"As pessoas devem se inspirar pela colaboração, pela boa vontade. A intenção de usufruir de espaços de qualidade no bairro em que cada um mora envolve deixar de lado os medos que podem surgir antes da colaboração. Eu sei que é complicado, pois estamos num momento difícil do país, mas as pessoas devem se interessar pelos projetos que procuram auxiliar de alguma forma o modo como vivemos. É muito legal." Finaliza Simone.

Inspiração para todos

"Nos finais de semana todo paulista aparece no Ibirapuera e reclama que o parque está muito cheio, quando eu posso apostar que todo mundo tem uma praça perto de casa que esta inutilizada."

A história da Simone se passa em Higienópolis, onde um grupo de moradores se engajou para transformar a praça do bairro que estava degrada e abandonada. Hoje a Villaboim tem novos ares, uma rede de amigos que a defende, e cuidados constantes.

Você também pode fazer isso no seu bairro! Para ser um agente de mudança basta juntar um grupo de interessados em revitalizar a praça e chamar a equipe do Praças. Agende uma visita e faça como a Simone: transforme um pedacinho do seu bairro.

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