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Crescer na praça: a incrível história da Simone e sua relação com Higienópolis

Leia a entrevista da moradora que vem tentando valorizar o bairro com projetos no Parque Buenos Aires e Praça Villaboim.

· villaboim,Mulher,Cidadania

Conversamos com a Simone, moradora de Higienópolis e Amiga da Villaboim. Ela nos contou sua história e o que está achando do projeto de adoção colaborativa.

A Simone bateu um papo com o Praças pra contar um pouco do que está achando do projeto de adoção colaborativa, do por que decidiu participar e de como ela acha que a sociedade pode mudar o bairro em que se localiza de uma forma simples e rápida.

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Como tudo começou

Qual a sua história como veio o projeto das bibliotecas no Parque Buenos Aires?
Ano passado virei tia de gêmeos prematuros. Um deles, o Antônio, desenvolveu uma doença rara, a enterocolite necrosante, que leva à perda do intestino. Quando isso acontece de forma brusca desenvolve-se a síndrome do intestino curto, em que a unica saída é um transplante extremamente caro que só existe nos EUA. Vivendo essa situação eu decidi criar uma ONG, A Pequenos Grandes Guerreiros, que dá assistência psicológica à famílias que também passam por isso.  Minha família fez uma feira de livros para arrecadar fundos para a ONG, e muitas obras foram vendidas, mas sobraram muitos livros de doações. A intenção também foi de começar a criar um banco dados estatísticos que gerem resultados para forçar a vinda de tratamentos e prevenções aqui pro Brasil. Eu não quero que outras pessoas descubram a doença como a gente descobriu, foi então que surgiu a "Geladeiroteca", com o Projeto Viva o Tom. Era uma homenagem ao meu sobrinho que também funciona pra divulgar sobre a doença. Conversando com os gestores do Parque eu vi que tinha uma facilidade do projeto ocorrer lá. Eles já tinham uma geladeira instalada, mas muitos livros eram roubados e desapareciam. Eles deixaram que alocasse o projeto Viva o Tom lá se eu me responsabilizasse em cuidar dos livros, da reposição.

Qual a importância da praça pra você?
A praça faz parte da minha história, eu cresci em Higienópolis e acho que a Praça Villaboim é um ponto de valorização local. Eu trago minha cadela pra andar na praça, e no passado eu e minha irmã brincávamos muito nesses espaços, até hoje a gente tem um grupo de amigos que cresceu brincando junto no Parque Buenos Aires. Eu acho que as áreas verdes em outros países do mundo são muito usadas, e aqui no Brasil a gente tem uma cultura que não valoriza esses lugares. Eu gosto de passar um tempo em lugares verdes, aqui a gente volta do trabalho e vai pra casa, ou vai pro bar. Ninguém pensa em ir relaxar nos espaços públicos.

Brincadeiras nas praças. Simone (à direita) com a irmã.

O interesse e ativismo

O que te inspira nos espaços públicos?
O que me inspira é o tempo que eu passo no verde. Eu morei fora do Brasil e em muitos lugares as pessoas se apropriam das praças. Em Londres, eu trabalhava no banco, comprava meu almoço e ia comer no gramado, em Sidney eu pegava um livro e ia ler no parque. Esse tempo é um momento de qualidade que criamos. Os lugares com muito verde, muitos parques não te fazem querer viver essa rotina individualista, você não fica em casa.

"Nos finais de semana todo paulista aparece no Ibirapuera e reclama que o parque está muito cheio, quando eu posso apostar que todo mundo tem uma praça perto de casa que esta inutilizada"

Como e quando surgiu interesse em participar ativamente desse tema?
Uma amiga me marcou num post do Facebook sobre uma reunião que ia ter aqui na praça Villaboim, eu vi e me interessei aí apareci na reunião. Como eu moro na esquina da praça tenho a vontade de viver num local valorizado, gostei do discurso do Praças. Quanto mais legal a praça estiver, mais os apartamentos estarão valorizados. Melhor vai ser a qualidade de vida do bairro, e é isso que o projeto propõe.

Por que você acha importante o desenvolvimento de projetos como esse?
Acho que é parte da criação de uma nova cultura. De novos movimentos em que podemos colaborar um pouco e valorizar a regionalidade. Esses projetos tornam o espaço um atrativo. Quando nos envolvemos também passamos a exercer uma papel de cidadão mais ativo, cobrando do poder público serviços que não são entregues.

Qual a melhor qualidade e o pior defeito da praça Villaboim na sua opinião?
O pior defeito é a qualidade geral da praça, os jardins por vezes fica mal cuidados, falta um paisagismo melhor, o playground está inutilizável. Seria um prazer trazer meu sobrinho pra brincar aqui, mas eu acho perigoso pra ele.

E o que eu acho de legal é que você tem aqui um bairro ativo, cheio de comércios ao redor, tem bar, sorveteria e tem aqui no meio essa praça super charmosa. O brasileiro vangloria outros países sobre a vida ao ar livre, mas não utiliza os espaços que tem perto de casa.

Amiga da praça

Queremos saber sua opinião sobre o processo de adoção colaborativa, conta pra gente?
Eu to achando muito legal, como moro na esquina da praça eu enxergo os resultados. Vocês estão vindo com uma idéia inovadora num lugar onde a mentalidade ainda esta bloqueada para isso. Tem um certo choque cultural, sinto isso com a Geladeiroteca, com os livros grátis. As pessoas se perguntam "Como assim de graça? Eu posso ir lá e pegar?" Aqui é a mesma coisa as pessoas se perguntam "Eu posso me envolver? Mas não é obrigação minha". Ok, não é obrigação, mas quem vai usufruir é você, então colaborando um pouco a gente pode ter um lugar que valoriza todo bairro e a qualidade de vida. A praça pode se tornar um showroom.

Por que você decidiu se tornar uma Amiga da Villaboim?
Foi depois de vir na reunião participativa em conjunto com o Praças. Eu apareci e ouvi o que o projeto propõe. Achei que era uma forma de fazer a diferença, de participar de uma iniciativa que quer valorizar o bairro. Achei uma ideia inovadora, que pode impulsionar uma nova mentalidade social.

O que você acha que pode inspirar as pessoas a apoiarem esse tipo de projeto?
Acho que o que pode inspirar as pessoas é a boa vontade. A intenção de usufruir de espaços de qualidade no bairro em que cada um mora e deixar de lado os medos que podem surgir antes da colaboração. Eu sei que é complicado, pois estamos num momento difícil do país, mas as pessoas devem se interessar pelos projetos que procuram auxiliar de alguma forma o modo como vivemos. Dessa forma a gente põe a cara, estamos fazendo a diferença aqui na praça, temos que mostrar todo o progresso, perguntar pras pessoas o que elas estão achando dos resultados. É muito legal.

Tem mais alguma coisa que você gostaria de acrescentar?

Só que assim que tiver um eletrodoméstico dando sopa vou fazer uma iniciativa para replicar a Geladeiroteca aqui na Praça Villaboim.

Você também pode ajudar

Acreditamos no potencial da Villaboim e na sua importância dentro de Higienópolis. A Praça se desenvolveu junto com o bairro e pode ser melhorada com a ajuda dos moradores interessados, como a Simone. Por isso o Praças criou a ferramenta de Adoção Colaborativa, que permite aos moradores interessados participarem no processo de renovação local. Venha fazer parte desse movimento que está reconstruindo as memórias do bairro.

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