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A mulher e o espaço público

Saiba sobre o processo de apropriação urbana pela mulher e como ações focadas podem impactar a sociedade como um todo.

· Pracas,Mulher

Leia sobre a história da relação feminina com as cidades, como o planejamento urbano pode incorporar suas necessidades urgentes e ainda assim transformar positivamente o ambiente para todos.

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O dia da mulher é celebrado internacionalmente dia 08 de março. A importância das mulheres na história da humanidade, no fundamento das bases sociais e nas formas como utilizamos o espaço público é determinante em diversos aspectos. A igualdade, tão estimada por essa luta social, é um ponto determinante quando se discute a construção de cidades. No dia de hoje ressalta-se o papel da mulher na construção e revolução urbana.

Separamos o dia internacional da luta feminina para falar da sua atuação e papel no espaço público. Continue lendo sobre a história da relação entre a cidade e a mulher, sobre iniciativas que levam em consideração as necessidades desse grupo social, e como colaborar por espaços públicos mais inclusivos.

A história da ocupação feminina do espaço público

As grandes cidades modernas cresceram gradualmente ao longo de muitos anos, enraizadas aos anos de história, experiência e conhecimento intuitivo sobre as percepções e sensações de seus habitantes. A apropriação do espaço público foi se alterando conforme os séculos e diversas características foram se perdendo.

Mauro Calliari, no livro "Espaço público e urbanidade em São Paulo" conta que no Brasil em meados do século XIX era muito comum a influência religiosa e as responsabilidades cívicas levarem as pessoas às ruas. Quem dominava o cenário urbano eram os chamados “homens bons” (livres e donos de terras), escravos, tropeiros e comerciantes. As famílias patriarcais viviam retiradas em seus casarões e as mulheres permaneciam em casa. Somente em dias de procissão elas eram autorizadas a sair para acompanhar.

Retratos da cidade no século XIX, mulher pouco presente. Fonte: http://atlas.fgv.br/sites/atlas.fgv.br/files/marcos/midias/1_6.jpg e http://www.editoradobrasil.com.br/jimboe/img/galeria/historia/ano3/unidade2/JBH3034a.jpg

Esse cenário de dominação masculina do espaço público se manteve por muitos anos, até a criação das cidades burguesas, na virada do século. A vida social passava a ser mais cosmopolita e a mulher começou a se inserir no cenário urbano passeando acompanhada pelos bairros da cidade. Atualmente, com a conquista do mercado de trabalho e o rompimento das atividades tradicionais as mulheres começaram a conquistar cada vez mais o espaço público.

Apropriação feminina dos espaços. Fonte: http://www.cutedrop.com.br/wp-content/uploads/2011/02/anos20.jpg

A mulher presente no espaço público

Essa questão da apropriação social do meio urbano veio, historicamente, moldando a arquitetura e o planejamento dos espaços. O Bryant Park, em Nova Iorque, por exemplo, adotou uma metodologia para medir seu nível de segurança a partir de seus usuários. Eles mensuram a quantidade de mulheres e homens que frequentam o local. Se o número de mulheres no parque diminui, é um indicativo de que a segurança pode estar em declínio.

Bryant Park, mulheres como indicadores de segurança.

Fonte:http://traveldigg.com/wp-content/uploads/2016/09/Bryant-Park-New-York.jpg

Uma característica recorrente, quando se discute espaço público a partir da perspectiva da mulher moderna é a da sensação de segurança. Muitas mulheres se sentem ameaçadas ou intimidadas em alguns locais por medo de agressões e violência.

Preocupações femininas recorrentes."Parece perigoso. E se houver alguém escondido na esquina?" Fonte: https://dl.dropboxusercontent.com/u/41985831/How_to_desigh_a_fair_shared_city.EN.web.pdf

Em Viena, na Áustria, foi feito todo um planejamento a partir das necessidades dos usuários com a intenção de criar espaços mais inclusivos para as mulheres. O programa chamado “Fair Shared City” (cidade justa compartilhada) surgiu inicialmente para levantar o perfil dos usuários de transporte público. Os resultados foram que as mulheres não só utilizavam mais o transporte público, como caminhavam mais até o seu destino. A partir disso, o planejamento urbano foi todo reestruturado para gerar uma sensação maior de segurança, beneficiando não só as mulheres, como toda a sociedade.

Atualmente, o estudo dos espaços públicos possui esse grande desafio que é o de entender o perfil de seus usuários. Essa é a melhor forma de se criar funcionalidade, bem estar e qualidade de vida à sociedade. Um dos desafios dos planejadores, é justamente viabilizar espaços antes inutilizados e menosprezados por diferentes grupos de pessoas. Uma importante figura feminina a propor um novo modelo de se pensar cidades foi Jane Jacobs. Ela se caracterizou como a primeira voz de resistência e participação cidadã ante os excessos de um urbanismo autoritário e desumanizado.

Jane Jacobs. Fonte: https://cdn1.vox-cdn.com/uploads/chorus_asset/file/6432651/GettyImages-152911815.jpg

Quando questiona-se quem ocupa o espaço público, pode-se pensar em maneiras mais precisas de acomodar as necessidades das mulheres, e de outros grupos como as crianças, idosos, pessoas com necessidades especiais. Isso pode ocorrer de formas simples, como melhorias na iluminação pública, criação de vias mais largas, projetos de acessibilidade pensando no livre acesso, melhorias visuais, etc.

A visão do Praças

O Praças acredita que uma cidade ocupada pelas pessoas pode ser mais saudável ao gerar trocas sociais e sensação de segurança. Estamos criando formas de analisar os locais de intervenção por meio de indicadores, e o número de mulheres e suas características (idade, necessidades) estão incorporados na metodologia que usamos para avaliar as praças que atuamos. Nos interessamos em saber as necessidades das mulheres.

Por isso queremos entender as demandas das mães e suas filhas e filhos, das profissionais que usam o espaço pra relaxar, das meninas que brincam nas praças, das senhoras que vivenciam o local, e de todas as interessadas em participar e estar no espaço público. Assim como Jane Jacobs, acreditamos na cidade multifuncional, compacta e densa onde a rua, o bairro e a comunidade são vitais na cultura urbana.

Somos uma ferramenta de Adoção Colaborativa para as pessoas interessadas em impactarem positivamente a sua localidade. Reconquistar o espaço público pode começar com um projeto de revitalização da praça mais próxima. Cuidar desses espaços é fundamental para garantir o acesso de diversos grupos e é uma forma de dividir responsabilidades, resultados e benefícios.

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